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29 de janeiro de 2021

Quando a chuva cai


Quando a chuva cai, o dia está cinzento e lá fora há uma pandemia a matar uma dezena de pessoas por hora nada convida a sair de casa.

Espreito à janela e vejo carros estacionados, poucas pessoas na rua de chapéus abertos, máscara de proteção, olhar triste e cabisbaixo.

Atravesso a casa, chego à varanda e avisto as plantas da vizinha do lado, molhadas e coloridas.

Finalmente alguma cor na paisagem do dia.

19 de janeiro de 2020

Gerações


Somos nós, adultos, que seguramos a pequena mão das crianças dando protecção e segurança, enquanto recebemos o carinho que vem dela.
Os anos passam, as pequeninas mãos crescem e as grandes tornam-se enrugadas e trémulas.
Nessa altura,  só precisamos que as posições se invertam e possamos receber a segurança que demos durante toda a vida e que o mesmo carinho se funda e se propague pelas duas.
As pessoas e as gerações mudam, mas os sentimentos vivem eternamente nos nossos corações.
O carinho nasce, cresce e fica para sempre entrelaçado nas mãos e na vida.

8 de dezembro de 2019

Na suavidade do amor


A paixão chega indomável e parte sorrateira, deixa desalento e solidão.
O amor chega ligeiro e suave, mas permanece.
Foi amor que ficou em nós, como o cheiro da brisa que passa e permanece suave e doce, levando-nos bem juntos pela vida que traçamos.
A nossa união e o nosso amor irão sempre sobrepor-se à paixão.
É o amor que nos une.
Sempre o amor!

14 de fevereiro de 2019

Um novo amanhã


Deixo mágoas e tristezas, desilusões e desencantos neste mar imenso e frio.
Seguirão o seu rumo até se desvanecerem.
Eu fico e aguardo um novo amanhã.

5 de janeiro de 2019

Amor trancado


Trancamos o nosso amor num destes cadeados.
Com os nossos nomes juntinhos e as nossas mãos unidas a fechamo-lo para todo o sempre.

E sempre é pouco!
Pouco para amar, para viver em perfeita união, para caminhar lado a lado de mãos juntas, para estar em perfeita cumplicidade.
O amor está selado, trancado num símbolo tão simples e de tanto valor.

Amor para sempre!

24 de março de 2018

A medo












Espreito a medo pela janela da vida.
Disfarço-me para  não mostrar as minhas fraquezas, os meus medos, as minhas angustias.
Vejo por trás dos vidros o tempo passar, espero que ele me liberte da dor, da saudade, da injustiça da própria vida.
Nostálgico e cabisbaixo tenho o mar a desabar dos meus olhos, os pensamentos a passarem em tormentas.
Espreito a medo com a esperança latente de que o sol me aqueça, a luz entre, os olhos sequem e o sorriso renasça.
Espero, espero apenas que os medos passem...

28 de fevereiro de 2018

Ser mulher

O dia chega ao fim e ela certamente regressa de um dia  de trabalho.
Um longo e duro dia de trabalho.
Regressa carregada.
É preciso levar comida para casa, é preciso fazer jantar, é preciso tratar da família, é preciso fazer ainda muita coisa.
O dia terminou mas os afazeres não.
É preciso continuar a trabalhar.
É preciso, é preciso, é preciso... ser mulher!

19 de janeiro de 2018


Veio de outro país, percorria as nossas ruas à procura de um poiso, encontrava um local sossegado onde pintava a cara, punha um sorriso e seguia para o principal largo da cidade.
Ali ficava, fazendo boquinhas, gestos e brincadeiras para que fossem caindo umas pequenas moedas na caixinha posta à sua frente.
O seu olhar azul mar, rodeado de marcas da idade ficava brilhante.
Fiquei a olhar para ele algum tempo, fotografei-o, dei uma moeda, apreciei o seu agradecimento e nunca entendi se o brilho dos olhos era de uma alegria modesta ou de um marejar de tristeza.

Ao seu lado um velho e sujo cão esperava pacientemente pelo seu dono.
Nunca mais esqueci estes olhos,  este homem de aparência sofrida vindo de um outro país.
Não é impresso em papel que este olhar se mantém preso a mim, mas na memória de um dia cinzento em que me cruzei com ele.

Não o voltei a ver, não sei o seu paradeiro, nunca soube o seu nome.
Não sei nada do homem nem do palhaço, mas aprendi que realmente pintar a cara é um bom modo de esconder mágoas e tristezas.

5 de janeiro de 2018

Velhas e gastas



Velhas e usadas, cansadas de palmilhar  por caminhos, ruas e estradas.
Subiram e desceram escadas, pisaram água da chuva, lama e pisos escorregadios.
Andaram a direito, saltaram obstáculos, deram passos certeiros e passos errantes.

Agora, velhas e gastas foram largadas num canto à espera que alguém ainda as aproveite.
Alguém que precise de palmilhar caminhos, ruas e estradas.

Assim é o ciclo da vida.

(Feira da Ladra, Lisboa)