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6 de fevereiro de 2021

Simples peões


Um rei, uma rainha, um bispo, um cavalo ou apenas um peão. Peças que se movem de maneira diferente num tabuleiro de xadrez cada um tem o seu poder e a sua função, mas quando o jogo acaba todos passam a ser iguais.

A vida pode ser idêntica a um jogo de xadrez, pessoas diferentes, mais ou menos poderosas, melhores ou piores, ricos ou pobres, mas no final todos somos iguais

Todos passamos a ser peões, simples peões.

20 de fevereiro de 2020

Até que a morte vos separe



Juntos até que a morte vos separe!
É pouco, muito pouco, é tão pouco...
Para além da morte, sim, para além da morte.
Quando os corpos ficam frios, sem força e sem vida.
Quando já gélidos se entrelaçam e confortam, quando buscam nos sentimentos de uma vida a força para se aquecerem.
Quando sentirem o palpitar do amor nos corações já parados.
Quando a respiração se fundir num imaginário sem limites.
Juntos, sempre juntos.

Violentada



Violentada, abandonada e fria neste chão húmido e rugoso que me fere a pele magoada.
Quantas mulheres estarão assim no mundo...como eu, abandonada num futuro incerto e doloroso.
Num mundo sem piedade nem lógica em que o poder e a força se sobrepõe à gentileza e à doçura.

17 de janeiro de 2020

Fantasiando


Pintamos a cara a  preto e branco ou com cores bem garridas.
Usamos as tintas para esconder a marca das lágrimas, o crispado das emoções ou a tristeza do olhar.
Pintamos a cara para fazer de conta que tudo está bem.
Fantasiados entramos no grande circo da vida como se tudo fosse irreal.
Na fantasia fazemos de conta que o tudo está bem.

5 de janeiro de 2020

Utopia


Diariamente chegam-nos imagens de sofrimento, guerra ou fome captadas pelo mundo nas várias catástrofes que não param de acontecer.
O pensamento comum e o desejo constante é de podermos ter paz no mundo, calma no planeta e bom senso no Homem.
Uma utopia claro!
Enquanto a ganância, arrogância e orgulho se sobrepuserem ao amor, humildade e gratidão nada poderá mudar.

Espero que um dia a felicidade invada todos os seres vivos.

12 de março de 2019

Metade de mim


Casar, unir corações, amar para a vida inteira...
Será que quero?
Metade de mim anseia, a outra metade treme de medo.
Tudo na vida tem dois lados.
Procuro o equilíbrio e sei que vou encontrar.

21 de maio de 2018

Momentos


Há dias em que as recordações assolam o coração.
A vontade desvanece e o vício vence todas as decisões.
Há dias em que apenas apetece estar só, só em pensamentos.
Saborear pequenos gostos que ajudam a esquecer e a recordar.
Momentos que fazem o dia ser mais leve e tranquilizam a alma.

19 de janeiro de 2018


Veio de outro país, percorria as nossas ruas à procura de um poiso, encontrava um local sossegado onde pintava a cara, punha um sorriso e seguia para o principal largo da cidade.
Ali ficava, fazendo boquinhas, gestos e brincadeiras para que fossem caindo umas pequenas moedas na caixinha posta à sua frente.
O seu olhar azul mar, rodeado de marcas da idade ficava brilhante.
Fiquei a olhar para ele algum tempo, fotografei-o, dei uma moeda, apreciei o seu agradecimento e nunca entendi se o brilho dos olhos era de uma alegria modesta ou de um marejar de tristeza.

Ao seu lado um velho e sujo cão esperava pacientemente pelo seu dono.
Nunca mais esqueci estes olhos,  este homem de aparência sofrida vindo de um outro país.
Não é impresso em papel que este olhar se mantém preso a mim, mas na memória de um dia cinzento em que me cruzei com ele.

Não o voltei a ver, não sei o seu paradeiro, nunca soube o seu nome.
Não sei nada do homem nem do palhaço, mas aprendi que realmente pintar a cara é um bom modo de esconder mágoas e tristezas.